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445 ANOS DE SHAKESPEARE

FESTA DE ANIVERSÁRIO!

TUDO PRONTO PARA AS COMEMORAÇÕES NO BRASIL


William Shakespeare nasceu em Stratford upon Avon no mês de  Abril do ano de 1564. Lá, na igrejinha da Santíssima Trindade, podemos ver o seu registro de batismo datado do dia 26 de Abril do mesmo ano. Naquela época era normal que as crianças fossem batizadas três dias após o nascimento. Portanto, o mundo todo celebra a data do nascimento de Shakespeare no dia 23 de Abril.

A maior festa de comemoração dos 445 anos de nascimento de Shakespeare, acontecerá no GLOBE - São Paulo. O GLOBE é uma escola de formação de atores capitaneada por Ulysses Cruz e Marcos Daud, e que todos os anos organiza o maior evento de comemoração do nascimento do patrono da escola - Shakespeare - no Brasil.


23 de ABRIL - EVENTOS O DIA TODO - das 9h às 23 h

Estar Pronto É Tudo! E o Globe segue à risca a máxima de Hamlet. Já está tudo preparado para A Maratona Cultural  do dia 23 de Abril. Palestras, Workshops, Exibição de filmes e Montagens de cenas das peças do maior dramaturgo de todos os tempos, fazem parte da festa e estarão ocorrendo ao longo do dia. E o que é melhor: você pode participar de tudo isso gratuitamente! - Sim.  É tudo GRÁTIS!

Para fazer parte da festa, basta que você faça sua inscrição no(s) evento(s) que mais lhe interessar. A inscrição pode ser realizada pela internet. Atenção: as vagas são limitadas!

Clique aqui para ver a PROGRAMAÇÃO COMPLETA do evento e os horários disponíveis.


PARA PARTICIPAR DO NOSSO WORKSHOP SHAKESPEARE: Fundamentos da Cena

Este ano serei responsável pelo workshop Shakespeare: Fundamentos da Cena onde abordarei todos os conceitos básicos e os parâmetros contidos no próprio texto de Shakespeare que nos ajudam na construção da cena e do personagem. Se você se interessa pelo tema, entre no site do GLOBE-SP e reserve já sua vaga.


SHAKESPEARE: FUNDAMENTOS DA CENA
Direção: RONALDO MARINSKY
Horário: 13:00 - Duração: 2h
Local: SALA HAMLET
Realização de uma cena previamente escolhida, abordando: contexto - motivação principal - sensilibidade - a fala - o ritmo - parâmetros do texto - trabalhando a imaginação.

 




CONHEÇA O GLOBE-SP

GLOBE-SP - Centro de Formação de Atores

 



Escrito por Ronaldo Marinsky às 09h50
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SHAKESPEARE - TEATRO COMPLETO

NOITE DE AUTÓGRAFOS

Bárbara Heliodora autografa o Segundo volume de Teatro Completo de Shakespeare

Foi nesta última Segunda Feira (06/04) na Livraria Argumento, no bairro do do Leblon no Rio de Janeiro, o primeiro evento de lançamento do Teatro Completo de William Shakespeare - Volume 2: Comédias e Romances.

A obra faz parte do projeto da Editora Nova Aguillar que visa lançar a obra Completa de Shakespeare traduzida por Bárbara Heliodora. Este volume vem para figurar ao lado do Volume 1 (lançado em 2006) com As Tragédias e Comédias Sombrias e que ainda deverá ser complementado pelo Volume 3 (sem previsão para publicação) que trará as Peças Históricas.

Este segundo volume segue o padrão de qualidade das coleções de obras completas da editora, com capa dura e embalado em uma caixa de papelão protetora - infelizmente, também traz outra característica: o preço um pouco salgado para os padrões do mercado nacional.

A professora Bárbara Heliodora, além de respeitada crítica teatral é a mais famosa especialista na obra de Shakespeare no país, por isso seus trabalhos são obrigatórios para os amantes do teatro. Na noite de autógrafos muitos artistas de destaque no cenário teatral brasileiro compareceram ao "beija-mão" e garantiram o autógrafo da tradutora. Entre eles estavam a grande dama do teatro brasileiro Bibi Ferreira, o ator Ney Latorraca, Patricia Pillar, Jaqueline Laurence e Silvia Pfeifer.

 




LEIA O LIVRO

Teatro Completo de Shakespeare - Trad. Bárbara Heliodora- Ed. Nova Aguillar


CONHEÇA O SITE

  Site Oficial de Bárbara Heliodora - com artigos e entrevistas da grande dama.

 




Escrito por Ronaldo Marinsky às 16h03
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MACHADO DE ASSIS E SHAKESPEARE

“Um dia, quando já não houver Império Britânico, nem República Norte-Americana, haverá Shakespeare; quando não se falar inglês, falar-se-á Shakespeare”  Machado de Assis

Em vários posts anteriores citei importantes autores da literatura universal que se destacaram por sua relação mais estreita com a obra de William Shakespeare. Continuando nessa linha, dos mais importantes autores da literatura mundial, encontramos o nosso Machado de Assis (1839-1908), para quem Shakespeare era tão importante, ao ponto de compor a seu respeito a epígrafe acima. Não deixa dúvidas: claramente, para ele, assim como para quase todos os outros grandes autores, Shakespeare é o Alfa e o Ômega do cânone ocidental.

Fato interessante, que cito sempre em minhas palestras, é o que observamos entre os jovens e adolescentes que se iniciam na leitura de Shakespeare: é quase unânime o seu crescente interesse em ler, depois, os clássicos de nossa literatura e da literatura universal. Um desses adolescentes certa vez comentou: "É como se, depois de ler Shakespeare, todos os outros autores ficassem mais cristalinos e evidentes mais fáceis de entender."

É bem possível que isso realmente ocorra, pois a leitura de Shakespeare por sua linguagem e estrutura dramática direta, além da intensidade e abrangência de sentimentos, apresente motivação extra aos nossos sentidos. Talvez, pelo possível espelhamento  de todas as emoções transformando-se dessa forma, num inevitável meio de educação dos sentidos, o que, por conseguinte, faz aumentar o apetite para novas sensibilidades contidas em toda a literatura em geral.

Além do mais, pode estar contido aí, aquilo a que chamo de "fator Bloom", ou seja, se Shakespeare como diz Harold Bloom é o "inventor" do humano, então,  para compreendermos a infindável gama de dramas e emoções humanas matéria prima de toda a literatura universal nada melhor do que irmos beber direto da fonte.

De certa forma, foi o que Machado de Assis também fez. Observe o trecho a seguir extraído de Dom Casmurro (1899):


DOM CASMURRO - Capítulo CXXXV

Jantei fora. De onde fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, – um simples lenço! – e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis; alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as idéias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira; não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.


SHAKESPEARE: "Carne Viva"

Em sua obra crítica, Harold Bloom defende a polêmica tese de que Shakespeare teria inventado o humano ao oferecer ao público de uma época sem leituras e na qual não havia nem cinema nem televisão, a oportunidade de ver a si mesmo representado no palco. Palco que transforma-se em grande espelho a devolver-lhes o reflexo dos seus mais íntimos sentimentos - matéria-prima na construção da identidade própria.

Surgem assim, pela primeira vez na história da humanidade, personagens profundos e complexos com seus sentimentos humanos sinceros revelados como fratura exposta - "carne viva", nas palavras de Victor Hugo

 Machado De Assis, em sua genialidade, faz uso da metalinguagem construindo um Santiago que como um ser humano real vê sua desdita no palco-espelho que reflete seus sentimentos e, indo além, acaba por encontrar motivações para a ação fatal, no jogo em que a vida imita a arte e vice-versa. Nesse romance psicológico, Machado nos apresenta o personagem principal com um tripla personalidade, ou uma personalidade em transformação ao longo do texto, como ocorre com Otelo sob a influência de Iago. No início do romance vemos Bentinho, que se transforma em Casmurro na metade do livro e que, por fim, torna-se Santiago. É quando em sua maestria, Machado nos revela Santiago como o Iago de si mesmo. Talvez, por isso, seu nome não tenha sido escolhido ao acaso (Santo+Iago).


Outros Autores

Vários outros autores nacionais deixaram expostas sua intimidade com Shakespeare. Segue o exemplo de dois poetas

ALVARES DE AZEVEDO (1831-1852) - Vale a pena conhecer sua obra em prosa Noite na Taverna com as epígrafes das peças de Shakespeare. Apesar da atmosfera dos contos de Edgar Allan Poe é possível perceber nos contos a fatalidade de Romeu e Julieta as forças malígnas de Macbet, entre outras. (Coincidentemente, este contemporâneo de Machado de Assis, que morreu muito jovem, traduziu para o português, o último ato da peça citada em Dom Casmurro.

MANUEL BANDEIRA (1886-1968) - Era também atento leitor de Shakespeare. Sua tradução de Macbeth para o português é primorosa. Vale a pena conhecer.


LEIA OS LIVROS

O OTELO BRASILEIRO DE MACHADO DE ASSIS - Helen Caldwell/Fábio Mello (Atelie Editorial)

DOM CASMURRO - Machado de Assis (em várias editoras)

NOITE NA TAVERNA - Álvares de Azevedo (ed Globo)

OTELO - Tradução de B. Viegas-Faria (L&PM editores)

MACBETH - Tradução de Manuel Bandeira (ed Paz e Terra)

Shakespeare - A invenção do Humano - Harold Bloom (ed. Objetiva)

Clique AQUI para ler entrevista de Harold Bloom, concedida à Revista Veja.

Clique AQUI para ler entrevista de Harold Bloom conedida à Revista Isto É.


OUÇA O LIVRO

Nada substitui os agradáveis momentos de uma boa leitura. Entretanto, se você quiser aproveitar seus momentos no trânsito, que tal ouvir

DOM CASMURRO audio livro (Universidade Falada)




Escrito por Ronaldo Marinsky às 11h02
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