"totus mundus agit histrionem"
Perfil


Em breve:



Histórico

Outros links:
Shakespeare Institute
Shakespeare's Globe
Shakespeare Online
Shakespeare and the internet
Shakespeare Resource Center



XML/RSS Feed
 


MACBETH EM SOM E FÚRIA

No episódio desta sexta feira a peça Macbeth domina a cena

 

Uma das peças mais sanguinárias de Shakespeare, Macbeth foi escrita para agradar o Rei Jaime I, que havia subido ao trono após a morte da Rainha Elisabete I. O Rei escocês era fascinado pelos temas de ocultismo e bruxaria.

É desta peça escrita por volta de 1606, a frase que dá o título em português à série Som e Fúria [Clique Aqui e Leia post anterior]

Neste episódio a peça é desconstruída para ser apresentada ao público aos poucos e numa abordagem irreverente que colabora para a desmitificação de um tema "clássico". A irreverência de alguns atores contrasta com a superstição de outros que, até mesmo, evitam dizer o nome da peça referindo-se a ela como ”a peça escocesa”. Existem de verdade, várias histórias sobre essa peça e sua maldição entre os atores reais. Estes fatos, assim como outros bem aproveitados na trama dão sabor especial aos episódios que muitas vezes também são valorizados por particularidades presentes na adaptação brasileira.

A abordagem farsesca da trama permite a utilização de recursos que enriquecem os episódios, como é o caso dos depoimentos de grandes atores e atrizes do cenário nacional interpretando a si mesmos. Neste episódio vemos Fernanda Montenegro e Wagner Moura. Este, inclusive, dá o seu depoimento no cenário de Hamlet, que ele interpreta atualmente no Rio de Janeiro. [Clique aqui para ler sobre o Hamlet de Moura] (1) (2).

O roteiro é rico de citações. Algumas não tão óbvias e outras mais evidentes, como a do grande ator shakespeariano Laurence Olivier, lembrado no nome do Lourenço Oliveira, ou do crítico Bárbaro que nos remete à grande tradutora de Shakespeare no Brasil e crítica teatral exigente, Bárbara Heliodora. Personagens são interpretados respectivamente pelos grandes atores Pedro Paulo Rangel e Ary França.

Estes detalhes, que tem sido bem trabalhados e explorados pela direção, deixam a minissérie muito mais saborosa.


SHAKESPEARE NAS ESCOLAS

Neste episódio, vemos trechos de Macbeth adaptados para numa montagem com crianças do ensino fundamental. Embora pareça estranho para nós, Macbeth é uma das peças mais adaptadas para montagens infantis em países como EUA e Inglaterra, principalmente os trechos das três bruxas que fascinam as crianças. São muito comuns os livros que trazem adaptações desta peça ao lado de Sonho de Uma Noite de Verão e A Tempestade que são as preferidas pelas crianças pela presença de personagens fantásticos.

Já, quando atingem a idade do ensino médio, Romeu e Julieta, A Megera Domada e, logicamente, Hamlet são imbatíveis na preferência dos adolescentes.  

Peças que trazem um profundo conceito da vida, seu significado, seu valor e que de certa maneira são trabalhados por esses jovens, não apenas através da experiência da leitura, mas de forma incorporada na ação, como, aliás, é a ideal relação com Shakespeare.

Oxalá, um dia todas as nossas escolas possam fazer uso desse vasto e infalível instrumento de humanização que caracteriza o teatro e toda a obra de Wlliam Shakespeare.

Está mais do que na hora do país ‘descobrir‘ este autor e desmitificá-lo o que é, a princípio, proposta de Som e Fúria.


LEIA

 MACBETH - tradução de Manuel Bandeira - ed. Cosac&Naify

 MACBETH - tradução Bárbara Heliodora - ed.Lacerda


ASSISTA EM DVD

MACBETH (1948) esta bela adaptação para o cinema de Orson Welles



Escrito por Ronaldo Marinsky às 02h24
[] [envie esta mensagem] []




40 ANOS DO HOMEM NA LUA

Metáfora do Astronauta

"Oh Deus, eu poderia viver (estar) preso numa casca de noz e me sentir rei de espaços infinitos..."           Hamlet ato II cena 2 (trad. Anna Aélia Carneiro Mendonça)


Assista

Nessa semana, uma boa sugestão para relembrar as missões Apolo é o filme

 APOLO 13 com Tom Hanks



Escrito por Ronaldo Marinsky às 02h29
[] [envie esta mensagem] []




HAMLET: REI DO ESPAÇO INFINITO

O episódio de ontem de Som E Fúria foi particularmente emocionante!

Durante as apresentações da peça Hamlet que traz, talvez, o maior número de desafios para um ator, a presença exigente do diretor da peça, Dante, interpretado pelo ator Felipe Camargo, ilustrou com sensibilidade a experiência daqueles que já vivenciaram tal situação.

Dante é o alter-ego de todo diretor de teatro. Sua preocupação com cada detalhe da peça, mesmo no último dia de apresentação, retratou bem a figura do artista que compreende profundamente sua arte. Isso, por sua raridade, é tocante!

Na última noite de apresentação, desmotivados por uma platéia arredia, a maioria dos atores, apenas cumprem com indiferença a programação. Dante não. Ele ainda está em busca do momento sublime, da interpretação perfeita capaz de arrebatar até a mais renitente platéia. Preocupa-se em motivar seus atores a aproveitarem a última chance de se superarem nos seus papéis. Não há profissional que não entenda essa motivação.

Ele consegue. Na fala da Rainha Gertrudes (Andrea Beltrão) descrevendo ‘suicídio’ de Ofélia, a atriz se supera e a última apresentação de Hamlet continua a emocionar a todos. Esse é o ponto alto do episódio e, ponto para Meirelles e sua equipe de atores!


INFINITOS HAMLETS

Já tivemos vários Hamlets em nossos palcos e, atualmente, Wagner Moura vive o personagem  de forma visceral nos palcos pelo Brasil afora (Clique aqui e Leia neste Blog).

Entretanto, ocupa lugar inamovível na história do teatro brasileiro a interpretação que o grande ator Sérgio Cardoso fez de Hamlet. Tido como “o Hamlet de sua geração”, a peça foi levada aos palcos em 1953.

Num dos meus cursos de Shakespeare, na pós graduação da Unicamp, tive a oportunidade de ter entre os alunos uma professora de história que, quando menina, foi levada pelo pai para ver Sérgio Cardoso no seu icônico papel. Seus olhos marejados ainda revelavam a emoção da experiência vivida. É incrível, quando nos envolvemos com um tema, como a emoção nos alcança das mais variadas formas. Sinto-me grato e privilegiado por ter a professora Therezinha Armani me escolhido para compartilhar as memórias de suas emoções.     

Isso tudo,  a busca de Dante pelo momento sublime, o texto de Shakespeare sonoro e vibrante em nosso próprio idioma, as lembranças de pessoas queridas cujas emoções profundas foram influenciadas por essa obra, mexeram com algo lá dentro. Ontem, assistindo ao episódio, fui arrebatado por todo esse complexo de emoções - e arte não é isso?. Pura emoção. Quando a arte é capaz de provocar isso – em uma única pessoa que seja – sabemos que todo o esforço valeu a pena.

Senti falta da fala de Hamlet eu poderia viver recluso em uma casca de noz e mesmo assim, sentir-me o Rei do espaço infinito”, que, acredito, explica porque mesmo com o pouco espaço para sua arte, o real artista segue em sua busca.

Acho que a cena das cinzas ficaria mais engraçada em plano americano, como no filme The Big Lebowski.

Queria deixar isso registrado no post de hoje.

Obrigado Meirelles.

 



Escrito por Ronaldo Marinsky às 09h45
[] [envie esta mensagem] []




MAIS SOM E FÚRIA

SOM E FÚRIA POR QUEM FAZ

Se você quiser mais informações sobre SOM E FÚRIA, acesse o Blog oficial da série > CLIQUE AQUI



Escrito por Ronaldo Marinsky às 08h16
[] [envie esta mensagem] []




Variações Sobre o Personagem Principal

 página com seis das oito assinaturas conhecidas de Shakespeare*

Como disse anteriormente, o personagem principal de Meirelles em Som e Fúria, assim como nosso aqui, é o próprio William Shakespeare. Todo artista, diretor, ator, produtor, que toma conhecimento da fantástica envergadura dessa obra, praticamente, passa a vida buscando meios de levá-la ao maior número de pessoas possíveis, pois sabe de seu poder e de sua capacidade de perscrutar o humano, sendo isso um tipo de colaboração para que possamos entender melhor esse animal chamado homem. Nenhum grande artista está livre de tal sina.

Lembro-me neste momento, de uma entrevista recente de Andréa Beltrão, uma das protagonistas de Som e Fúria, onde, diante de uma jornalista que insistia em desviar o tema e falar junto com ela, Andrea, que aparentemente fez bem a lição de casa, afirmava repetidamente: Shakespeare já escreveu tudo, Shakespeare já escreveu tudo... você sassiste às novelas, aos filmes, e vê: está tudo lá, em Shakespeare, Shakespeare já escreveu tudo! - um esforço em vão para que a jornalista prestasse atenção ao que ela estava falando: eis o tema da mini-série e o desafio de Meirelles e seus atores diante da audiência. 


Um bom motivo

Em 31 de Dezembro de 1999, em sua edição especial da virada do milênio, a revista Time realizou um levantamento das maiores e mais influentes personalidades dos últimos mil anos.

Desnecessário dizer que Shakespeare foi o “Bardo do Século” do período 1600-1700. A nota que descrevia o fato merece ser citada na íntegra, pois sumariza todo o poder e abrangência que ele  exerce ainda hoje:

"Em uma época em que arrogantemente o homem fez de si a medida de todas as coisas, Shakespeare traiu a frágil essência da espécie, revelando sua humanidade com histórias que continuam a ser parábolas existenciais e românticas de nós mesmos. Suas palavras ainda são as artérias dos nossos  sonhos e pensamentos. Para as gerações depois dele, Shakespeare seria... um vidente daquilo que Coleridge chamou a ‘natureza íntima’ da existência humana. Sabemos pouco da vida pessoal de Shakespeare, alguns inclusive, questionam sua identidade. Entretanto, ele não precisa de pirâmides ou monumentos. Como John Milton escreveu:

“Amado filho da memória, grande herdeiro da fama/Qual a necessidade do frágil testemunho de vosso nome?”

Seu monumento é seu próprio nome. Shakespeare é agora palavra global para cultura".


* As outras duas assinaturas encontram-se no testamento que escreveu pouco antes de morrer. 



Escrito por Ronaldo Marinsky às 10h35
[] [envie esta mensagem] []


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]