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FELIZ 2011

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Escrito por Ronaldo Marinsky às 12h17
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BRIAN STIRNER COMENTA WORKSHOP SHAKESPEARE

 Brian Stirner (BAEPI - Workshop Shakespeare 2010)

Brian Stirner, ator diretor e atualmente professor da RADA - Royal Academy of Dramatic Art  esteve recentemente no Brasil para ministrar oficinas e workshops sobre Shakespeare e sua obra. Brian que já atuou ao lado de grandes estrelas internacionais como Helen Mirren, fez questão de registrar suas impressões sobre o trabalho desenvolvido com os atores brasileiros que considerou excelente, e por isso escreveu ao O Mundo É Um Palco.

Clique Aqui para saber mais sobre Brian Stirner [site Baepi]

O Workshop foi realizado na segunda semana de Dezembro (clique aqui para ver post anterior) e teve a participação de vários jovens atores do cenário atual brasileiro e inclusive alguns recentemente chegados de cursos no exterior.  Abaixo apresentamos a mensagem original enviada por Brian ao OMEUP e a todos os atores participantes do workshop e também a todos aqueles que tenham a intenção de desenvolver trabalhos sobre a obra de Shakespeare no Brasil. Seus conselhos são enriquecedores.

"Dear Ronaldo,

Please excuse me writing in English but I know you understand the language and it takes me such a very long time to write in Portuguese.

First, thank you so much for the e-mails of everyone and for the lovely photos.  We all look so happy and well!

Second, thank you for the wonderful words you wrote on your blog. I am so glad that you and everyone enjoyed and got something from the workshop.

It is not easy to introduce a way of working that is necessarily different to that which the actors here are used to. I was really struck by how open everyone was to learning about the verse structure, and so impressed that – in such a brief time – the essentials of Shakespeare were being managed in a way that not only served the text but brought it to life with truth and feeling.

I hope that the respect for Shakespeare’s language that is at the root of this teaching can be taken further into the actor’s work here in Brazil.

Many good things have come from Shakespeare productions in languages other than English (particularly ways in which Shakespeare’s themes and characters can be used to free up the creativity of both body and mind) but it seems to me there is no reason why such imaginative exploration cannot proceed within the framework of Shakespeare’s language and verse. For this, of course, we need good translations: faithful to meaning, alert to variations of rhythm and meter, and sensitive to the complexities and musicality of both the English and Portuguese languages.

I hope that all our great students at BAEPI will have the opportunity to put into practice a little of what we worked with. Everything we need to know about playing Shakespeare is in the text: all we have to do is to understand it, use it, trust it, and feel it. It takes a little work, but soon becomes ‘second nature’ and - once it does - the playing of Shakespeare becomes a joy. As Hamlet himself says, 'Sblood, do you think I am easier to be played on than a pipe?

I wish you well with the blog and all your noble endeavours to illuminate Shakespeare for yourself and others.

best wishes

Brian"


Nós é que agradecemos a você Brian, por sua gentileza em compartilhar com tanta generosidade e carinho sua ampla experiência e seu profundo conhecimento sobre William Shakespeare e sua Obra.

Obrigado em nome de O Mundo é Um Palco e de todos os seus alunos.


A seguir, uma rápida e livre-tradução da mensagem de Brian para os leitores do Blog em língua portuguesa.

Dear Ronaldo,

Desculpe-me por escrever em Inglês, mas você conhece a língua e levaria muito tempo para escrever-lhe em Português

Primeiro, gostaria de agradecer pelos e-mails de todos e pelas belas fotos. Nelas, todos nós parecemos bem e felizes!

Em segundo lugar, obrigado pelas belas palavras que você escreveu em seu blog. Estou muito feliz por todos vocês terem apreciado e tirado proveito do workshop.

Não é fácil introduzir uma forma de trabalhar que, necessariamente, é diferente daquela que os atores estão acostumados aqui. Fiquei realmente sensibilizado pela disposição de todos em aprender sobre as estruturas dos versos e muito impressionado – que em tão pouco tempo – a essência de Shakespeare fosse captada de tal forma que, não apenas pôde revelar o texto, mas também dar-lhe vida com verdade e sentimento.

Espero que o respeito pela linguagem de Shakespeare, fundamento destes estudos, seja considerado nos próximos trabalhos destes atores aqui no Brasil. 

Muita coisa boa já foi feita por produções de Shakespeare em línguas diferentes do Inglês (particularmente aquelas em que temas e personagens de Shakespeare foram usados, tanto física quanto mentalmente, de forma livre e criativa) e, me parece não haver nenhuma razão para que tal exploração criativa deixe de ocorrer dentro da estrutura do verso e da linguagem de Shakespeare. Para isso, é claro, precisamos de boas traduções: fiéis ao sentido, alerta às variações de ritmo e métrica e sensível à complexidade e musicalidade de ambas as línguas, inglesa e portuguesa.

Espero que todos os grandes estudantes [participantes do nosso curso] do BAEPI tenham a oportunidade de colocar em prática um pouco daquilo com que trabalhamos. Tudo que precisamos saber para interpretar Shakespeare está no texto: tudo que temos que fazer é compreender, utilizar, confiar, e sentir o texto. Isso demanda um pouco de trabalho, mas rapidamente se torna uma ‘segunda natureza’ e – uma vez feito isso – a interpretação de Shakespeare transforma-se em puro prazer. Como o próprio Hamlet diz, ‘Por Deus, pensais por acaso que eu sou mais fácil de tocar do que uma flauta?*

Desejo-lhe tudo de bom e também ao Blog com seu nobre desafio de revelar Shakespeare a si mesmo e para todos.

Felicidades

Brian


* Hamlet–Ato III–cena 2. Trad. Anna Amélia Carneiro de Mendonça e Barbara Heliodora.

 

 



Escrito por Ronaldo Marinsky às 22h49
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